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Se eu pudesse escrever sobre nós

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Se eu pudesse escrever sobre nós eu provavelmente me apaixonaria de novo. Estou tão feliz que você disse desde o início "você não pode escrever sobre nós" e eu não vou.

Mas lembra daquela vez que você me levou para a festa do seu trabalho e ninguém sabia de nós, mas você ficou com ciúmes quando me viu em um papo empolgado com o João do setor de TI. Você disse "vamos embora" e no caminho você brigou comigo, Achei fofo.
Se eu pudesse escrever nossa história, você agiria mesmo como uma criança. Engraçado, porque você não é infantil, mas eu não sei porque você apresentava tanto esse lado para mim.
Eu provavelmente escreveria também sobre aquela terrível visita a casa dos seus pais, que você chorou no meu ombro sobre o relacionamento com eles e eu beijei sua testa dizendo que iria ficar tudo bem.
Éramos duas bagunças que combinavam. Ainda sinto falta dos domingos que giravam em torno de onde tomaríamos café da manha e quais filmes assistiríamos entre um sexo e outro.
S…

Encontro

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Há tanto que eu poderia te dizer, mas eu não sei como. Se me calo é porque não existem palavras e o tempo não permanece, ele muda. Ele muda tudo. Eu já fui você e você será eu, não houve como esquivar-se. As coisas são como são, assim, sem explicação.

Hoje eu tenho a força que tu não tinha e você é a lembrança da doçura que se esvaiu de mim. É sempre assim, algumas coisas são levadas enquanto outras são trazidas, pelas mesmas ondas, hora calmas, hora turbulentas.
Se eu pudesse te dizer, te diria que com o tempo iria melhorar, mas a verdade é que só muda, as vezes ainda é preciso bater em rochas para poder passar. Mas se estou aqui é porque você chegou e trouxe seu mundo consigo.
Eu estava te esperando e você a mim, mas eu não sou quem você pensava que seria. Essa é outra lição que você precisou aprender, as correntes mudam e com elas os planos saem da rota, como o tempo, nada permanece o mesmo, é preciso reajustar o curso.
Mas você está bem e eu também. Nosso encontro sutil passou e …

Nosso primeiro adeus

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De longe, quase não se via as barracas. Por um segundo achei que não saberia voltar, mesmo tendo feito o mesmo caminho por duas semanas. Talvez porque desta vez eu tinha ido mais longe, talvez porque eu não quisesse mesmo voltar.

Minha expressão deve ter me entregado, pois ele se aproximou e perguntou se eu estava perdido, eu disse que não, mas ele disse estar. Pediu que eu o levasse a barraca mais próxima. Depois descobri que ele havia crescido próximo aquela praia, a conhecia como uma pessoa conhece sua própria casa.
Conversamos sobre o tempo, sobre viajar. Ele já tinha navegado pelo mundo, aquela cidade litorânea era o mais longe que eu já tinha ido. Embora eu tenha evitado com sucesso conversar com pessoas naquele período de tempo, estava curioso sobre aquele estranho.
Na semana seguinte, quase não consegui escrever. Vinícius me levou a um passeio de barco, me mostrou uma ilha não muito longe e me contou a história da vila que originou a cidade.

Contei a ele porque estava ali, fa…

Le cœur the la mer

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Eu estava perdido quando você me encontrou. O cenário a minha volta parecia igual, assim como os sons e as sensações, mas você me despertou, quebrou e libertou algo que eu jamais tinha sentido. Quando tocou meus lábios estranhei o sabor, parecia desconhecido e ao mesmo tempo tão familiar.
Mon cœur n'est pas a moi pour donner
Segui a teu lado, maravilhado com o horizonte, que completava tua beleza. Tão belo, tão hipnotizante. Assim, você me fez esquecer de toda a dor, da incerteza, das perguntas, mesmo sem me dar respostas. Ao te olhar nada mais importava, eu esquecia o resto do mundo, era só eu e você.

J'oubliais le reste du monde, il n'y seulement que moi et toi.
Mas você vinha de longe e eu também. Quando o outono chegou, quase imperceptível na paisagem, veio o "até logo", porque eu jamais poderia dizer adeus. Mergulhei em ti e você impregnou em mim, isso marca para sempre. De volta, já não poderia mais chamar minha casa de lar, quando sentia que meu lugar era c…